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Resenha: Dom Casmurro - Machado de Assis

 


O Livro de Machado de Assis foi publicado pela primeira vez em 1899 e tornou-se um dos livros mais conhecido do autor, tendo uma tensa narrativa cheia de ciúmes e mágoas de um homem que viu-se dominado pela desconfiança.

Neste livro mais uma vez, assim como em a mão e a luva, Machado de
Assis Utiliza-se da metalinguagem, aqui o narrador conversa diretamente com o leitor, o que torna a leitura mais dinâmica. O narrador da história é Dom Casmurro pseudônimo adotado por Bentinho, que já em avançada idade decide narrar suas memórias e contar sobre o grande dilema de sua vida. Acredito que todos já conhecemos esse grande dilema e quem é leitor que se preze conhece o maior questionamento da literatura Brasileira: CAPITU TRAIU OU NÃO BENTINHO?

O livro não segue uma linha do tempo linear, portanto, a narrativa consiste na mesclarem de diferentes memórias em diferentes períodos de tempo. Mas, aqui vou resumir linearmente a história e não vou contar muito do livro em parte para que você relembre as idas e vindas da história e em parte para incutir em você a curiosidade de ler ou reler novamente este livro.

Como Mãe de nosso protagonista temos Dona Glória, mulher que após perda de uma criança e sendo muito religiosa prometeu que se desse à luz a um filho saudável o faria entrar para o seminário e ser padre e assim é selado o destino de nosso protagonista Bentinho.

Bentinho, nosso protagonista cresce forte e saudável e ao longo de sua vida nutre uma forte amizade com sua vizinha de idade próxima Capitu. Nossos protagonistas crescem e vem-se apaixonados um pelo outro, mas são obrigados a se separarem quando bentinho é enviado para o seminário para se ordenado padre. Todavia, sabemos que ele não tinha vocação nenhuma para a batina, é durante o seminário que conhece seu melhor amigo Escobar que assim como ele tinha todos os planos em mente menos o de ser padre. Aos 18 anos Bentinho deixa o seminário e ingressa na faculdade de direito.

Já com 23 anos Bentinho casa com sua amada Capitu e logo após o casamento Bentinho já começa dar sinais de ciúmes, mas tudo ganha uma nova proporção quando seu filho Ezequiel nasce e logo ele começa as desconfianças sobre se o filho de fato é seu ou o fruto de uma traição entre sua esposa e melhor amigo Escobar. 

Machado vai construindo seu livro de maneira magistral e vai semeando em sua escrita evidencias que dão suporte as desconfianças de Casmurro, todavia, o livro é uma narrativa de um único ponto de vista e as evidencias levantas podem não passar de delírios de uma mente ressentida.

Já chegado ao fim de todas as suas considerações Bentinho decide considerar sua amada uma traidora e no capitulo “a Solução” é descrito como ele decidiu deixar sua família exilada na suíça e por aparência fingia todos os anos visita-los, todavia nunca mais procurou sua esposa. Nesse meio tempo, Capitu escreve-lhes cartas afetuosas que são respondidas com desprezo e amargura. Ao fim Casmurro narra que perdeu a todos a quem amava e os viu morrer e mergulhado em solidão termina seu livro ainda com palavras amargas e desconfiadas crendo que seu melhor amigo e amada o haviam traído.

Agora retorno a questão fundamental deixado por Machado de Assis: houve ou não traição?

Bom o que vejo são duas pessoas que amaram-se, dedicaram-se uma à outra e lutaram para ficar juntas, mas que durante o casamento  uma deixou-se corromper pelo sentimento de posse, pois se pararmos para pensar Bentinho amava Capitu como um objeto só seu e que devia cumprir a todas as suas expectativas, por outro lado Capitu  possuía uma personalidade forte e inteligente que ofuscava a sua, Bentinho então viu sua ilusão de perfeição ruir e ciúmes doentios e desconfianças foram sua estratégia para tentar justificar suas inadequações.

Como resultados temos uma mulher que passou sua vida amando um homem fraco que a desprezou e a fez sair de sua casa e pátria e ainda ser obrigada a criar seu filho sozinha sem a presença do homem que jurou ama-la para sempre. O livro não deixa claro a traição, mas deixa claro como sentimentos de ciúmes e desconfiança podem destruir vidas. 




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